26 August, 2009

Empresas lançam pacto por publicidade infantil (Meio & Mensagem)

A Associação Brasileira de Indústrias da Alimentação (ABIA) e a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) apresentaram nesta terça-feira, 25, a carta-documento assinada por 24 empresas que se comprometem a limitar a publicidade para menores de 12 anos

Felipe Turlão e Marcos Bonfim - Atualizada às 14h05

25/08/2009 - 12:30

Algumas das principais empresas brasileiras dos ramos de bebida e alimentação assinaram um acordo nesta terça-feira, 25, pelo qual se comprometem publicamente a não investir em publicidade voltada a crianças menores de 12 anos. As novas regras valem para todas as mídias e entram em vigor até 1º de janeiro de 2010. O acordo está em linha com iniciativas parecidas aplicadas na União Européia e nos Estados Unidos.

De acordo com Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), "a iniciativa é uma solução para o anseio desta sociedade moderna. O setor de alimentos é realmente responsável e está muito preocupado, e temos certeza de que estamos pensando na melhor maneira de proceder", disse.

Para Rafael Sampaio, vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), a análise do problema é restrita e superficial. "Há, evidentemente, uma facilitação da solução de que ao se atacar a propaganda se tem a questão resolvida, mas não tem. Está muito consolidado, no entanto, tanto na Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto nos Estados Unidos e na União Européia de que é uma questão multifatorial e que deve ser atacada em todos os stakeholders. E evidentemente as indústrias são os stakeholders essenciais nisso", ressalta o executivo.

As empresas nacionais e internacionais signatárias do movimento são AmBev, Batavo, Bob's, Burger King, Cadbury, Coca-Cola, Danone, Elegê, Ferrero, Garoto, General Mills, Grupo Bimbo, Kellogg's, Kraft Foods, Mars, McDonald's, Nestlé, Parmalat, PepsiCo, Perdigão, Sadia, Schincariol e Unilever. Elas são associadas à ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentação) e a ABA (Associação Brasileira de Anunciantes).

Cada uma das participantes será responsável pela elaboração e divulgação de suas próprias políticas de publicidade para crianças, com base em alguns critérios mínimos já acordados entre elas e descritos no compromisso público.

Detalhes do processo
Pelos termos do acordo, as empresas se comprometem a não fazer publicidade para crianças com menos de 12 anos (há uma exceção aberta para produtos cujo perfil nutricional atenda a critérios baseados em evidências científicas). Os programas na mídia para este nicho são assim classificados se tiverem 50% ou mais de audiência constituída por crianças até essa idade.

Outra restrição diz respeito a ações promocionais de bebidas e alimentos realizadas em escolas, para crianças deste segmento. A exceção, neste caso, diz respeito a ações com propósito educacionais e esportivos que ocorram sob solicitação da direção da escola.

As empresas signatárias se comprometem também a promover em sua publicidade hábitos saudáveis, como adoção de alimentação balanceada e realização de atividades físicas.

Empresas justificam
A PepsiCo manifestou-se, dizendo que publicará os seus compromissos individuais ao longo do ano de 2009 em seu site. "A PepsiCo defende o marketing responsável em todos os seus mercados de atuação, e isso inclui o marketing dirigido a crianças. Somos adeptos a códigos globais amplamente aceitos, como aqueles estabelecidos pela Câmara de Comércio Internacional. Além disso, somos signatários de Compromissos Públicos (Pledges) em outros países e regiões. Agora é a vez do Brasil", disse em comunicado Otto Von Sothen, presidente da divisão de alimentos da PepsiCo Brasil.

A Coca-Cola também enviou um comunicado, dizendo acreditar que esta é a postura de empresas responsáveis. "Estamos felizes que a indústria de bebidas e alimentos brasileira tenha decidido adotá-las", afirmou Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. A empresa já havia anunciado compromisso individualmente em 2008, em alinhamento com anúncio global da The Coca-Cola Company.

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